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  • Foto do escritorHebert Silva Araújo

A voz de Freddie Mercury: uma análise completa do cantor

Confira um olhar aprofundado sobre as performances vocais de um dos maiores cantores da história!


Que Freddie Mercury foi o detentor de uma das maiores vozes da história da música não é uma novidade. Basta ouvir uma gravação para relembrar o quão potente e marcante é a voz desse ídolo. Mas você sabe, tecnicamente, o porquê desse timbre ser tão singular? No artigo de hoje, vamos conhecer todas as suas características em uma análise vocal de Freddie Mercury!



Entender mais a fundo sobre esse cantor admirável é uma excelente forma de tirar alguns insights e aprender mais sobre técnica vocal. Para isso, contamos com a orientação da instrutora de canto do Cifra Club, Vivi Donner, para preparar este material focado na voz de Freddie Mercury.

Então, vem com a gente conhecer as nuances e a ciência por trás da voz dessa estrela da música internacional!

Como Freddie Mercury aprendeu a cantar?

Ao contrário do que muitos pensam, o vocalista do Queen não nasceu na Inglaterra, e sim na cidade de Zanzibar, na Tanzânia. Com apenas 7 anos, Freddie teve seus primeiros contatos com a música e iniciou os estudos no piano. Posteriormente, também fez aulas de canto.

No início do Queen, em suas primeiras apresentações, a voz de Freddie Mercury ainda não era perfeita. Inclusive, o vocalista foi alvo de críticas e piadas por conta de seu timbre vocal. Com isso, ele passou a se dedicar no trabalho de controle de sua voz.

Como analisa Vivi Donner, Freddie Mercury não possuía uma voz poderosa logo que começou. Porém, “sempre foi conhecido por ser um trabalhador esforçado (ele estudou diferentes aspectos da música com o passar do tempo)”.

Ela ainda ressalta que “a evolução musical de Freddie Mercury é evidente em álbuns como “A Night at the Opera” (1975)  e “The Miracle” (1989).”

Qual o tipo de voz de Freddie Mercury?

A voz de Freddie Mercury é classificada como barítono. Ou seja, dentre as vozes masculinas, ela está entre o baixo (mais grave) e o tenor (mais aguda). Freddie tinha uma grande extensão vocal, que ia do baixo F ao soprano F, cobrindo quatro oitavas. De acordo com Vivi:

Freddie tinha grande alcance e voz de peito cheio. Ele cantava, principalmente, acima de sua voz natural e usava tanto a voz de peito quanto a voz de cabeça.

Mesmo com a voz natural barítono, Freddie cantava a maioria das músicas do Queen na região aguda do tenor. Além disso, ele possuía uma ótima desenvoltura para cantar vários estilos musicais.

Na faixa I’m Going Slightly Mad, dá para perceber de forma mais explícita um registro dos graves de Freddie:



Características da voz de Freddie Mercury 

Em uma análise vocal de de Freddie Mercury feita na Logopedia Phoniatrics Vocology, estudiosos afirmaram que ela poderia ser comparada a “uma força da natureza com a velocidade de um furacão”. 

Além disso, eles descobriram um fenômeno físico intrigante, chamado sub-harmônicos. Esse fenômeno é visto de forma mais extrema no canto gutural tuvano, onde vibram não apenas as pregas vocais, mas também um par de estruturas de tecido (pregas ventriculares). Elas, normalmente, não são usadas para falar ou cantar.

Diferente da maioria dos cantores de pop e rock, os vibratos de Freddie Mercury eram irregulares e rápidos. Enquanto a média de vibratos varia entre 5,4 Hz e 6,9 Hz, os do astro chegavam aos 7,04 Hz. Suas pregas vocais também eram diferenciadas: elas vibravam mais rápido.

Mostrando-se um artista ímpar, nas canções Bohemian Rhapsody e Somebody To Love, ele demonstrou sua habilidade de cantar em falsete. Os drives vocais, como “grit” ou “growl”, também foram incorporados à sua expressão vocal.




Vivi ainda comenta sobre as geniais nuances adicionadas por Mercury nas músicas do Queen:

Outro aspecto notável é sua capacidade de criar harmonias complexas e arranjos vocais inovadores, contribuindo para a identidade única do Queen. A maneira como ele passa de sua poderosa voz de “força de furacão” para o falsete e, então, termina perfeitamente com uma voz tão gentil e suave é incomparável. Essa versatilidade e a capacidade de transição tão suave e sem esforço permitiram-lhe transmitir emoções como nenhum outro artista.

Cuidados com a voz

Por volta de 1980, Freddie Mercury começou a fumar, alegando que gostava de como isso deixava sua voz mais rouca. E realmente é possível notar uma mudança. Porém, nove anos depois, em 1989, por conselho médico, ele largou o cigarro.

Antes de cada show, o vocalista do Queen fazia questão de seguir uma rotina rigorosa de aquecimento vocal. Assim, junto de toda sua dedicação e carisma, garantia a entrega da voz em perfeitas condições para o público.

No entanto, com o número excessivo de turnês e apresentações, ele acabou desenvolvendo fadiga vocal e nódulos na voz. Ao longo dos anos, ele passou a dar preferência a notas mais confortáveis e sem grandes riscos, embora ainda alcançasse bons agudos.

Vivi ainda cita que, no álbum “Innuendo” (1991), o penúltimo da banda, “ele ainda conseguia cantar com uma voz pura e cristalina, que parecia tudo, menos danificada.”




Então, curtiu essa análise vocal de Freddie Mercury? Sobretudo para você que também canta, estudar as características da voz de um dos maiores vocalistas da história agrega muito.

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