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  • Foto do escritorHebert Silva Araújo

UM SHOW QUE EXALTA O PAPEL DO COMPOSITOR BRASILEIRO ESTREIA HOJE EM PORTUGAL

Moacyr Luz, Pedro Luís, Edu Krieger, Gabriel Moura, Pierre Aderne e Rodrigo Maranhão cantam canções suas que foram hits nas vozes de outros


Estreia nesta sexta-feira (7), em Lisboa, um projeto musical que reúne um timaço de criadores de sucessos, todos associados da UBC: Moacyr Luz, Pedro Luís, Edu Krieger, Gabriel Moura, Pierre Aderne e Rodrigo Maranhão. No show Voz dos Compositores, eles interpretarão hits que criaram para outros cantores e cantoras, explicando um pouco a história por trás de cada canção.

Autores de talento, os seis assumem a ribalta para visibilizar o trabalho de criação, frequentemente colocado pelo mercado sob a sombra de um grande intérprete.

Estarão no repertório do show, entre várias outras, “Ciranda do Mundo”, composição de Krieger gravada por Maria Rita; “Mão e Luva”, de autoria de Pedro Luís e popularizada na voz de Adriana Calcanhotto; “Saudades da Guanabara”, cocriação de Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro que brilhou na interpretação de Beth Carvalho; “Brasis”, de Moura, Jovi Joviniano e Seu Jorge, presente no álbum “Planeta Fome”, de Elza Soares; “Mina do Condomínio”, de Aderne, Moura, Pretinho da Serrinha e Seu Jorge, com versão famosa deste último; e “Samba de Um Minuto”, de Maranhão, originalmente interpretada por Roberta Sá.

“Aqui há uma costura curiosa entre parcerias variadas, em duplas ou trios, que entrecruzam nossas obras. Mas, sobretudo, somos cantautores que tivemos, nas duas últimas décadas, o imenso privilégio de ver nossas canções posicionadas em novelas, filmes, comerciais, paradas de sucesso, nos pratos dos DJs e na boca do povo. Contar essas histórias e entoá-las à nossa maneira será, sobretudo, um imenso prazer”, definiu Pedro Luís.

Num vídeo anunciando o projeto, o cantor e compositor português António Zambujo, ícone do novo fado — e que está entre os intérpretes que gravaram canções dos participantes de Voz dos Compositores — convidou o público a prestigiar o projeto. E, brincando, deixou aberta a possibilidade de subir ao palco e cantar com eles.

O clima de festa e ponte cultural e afetiva entre os dois países ganha um simbolismo especial pelo próprio lugar escolhido para o encontro: o Coliseu dos Recreios, mítica casa de shows lisboeta aberta no final do século XIX e palco de grandes apresentações de música lusófona ao longo de décadas. De fato, como descreve Pierre Aderne, grande articulador do show, a festa é mesmo para o conjunto da música em língua portuguesa.

“Esta é uma celebração da canção popular, dos seus segredos, da sua vida por dentro, mas também do melhor que se tem feito no universo riquíssimo da música em língua portuguesa. Será transformador repetir esse encontro em terras brasileiras e pelo mundo”, pontua.

Em reflexões enviadas à UBC, os outros quatro artistas também comentaram como se sentem com o projeto e as implicações simbólicas que ele tem.

“A ideia surgiu do Pierre, que sempre foi um agregador, desde quando morava no Brasil (atualmente está radicado em Portugal). Organizava saraus no apartamento dele e promovia encontros entre músicos, apresentava as pessoas umas às outras. Ele tem esse temperamento. Sentiu a necessidade de celebrar a nossa afinidade musical, que nós seis temos, em Portugal. Foi uma ideia que veio totalmente dele, e a gente a abraçou. Ver isso se tornar realidade é uma alegria enorme”, afirma Krieger.

Maranhão faz coro:

“Talvez ele (Aderne) tenha tido saudade da gente e querido reunir a tropa”, brinca. “Todos os que ele convidou temos apreço pelo lado compositor, nos consideramos compositores muito mais do que qualquer coisa. Gostamos das histórias das canções, da labuta de fazer canção, temos parcerias entre nós… a coisa se costura também por dentro. Pela primeira vez estaremos juntos no palco, mostrando a canção como ela veio, sem ainda a reinvenção que, às vezes, acontece com os grandes intérpretes. Esse show é a canção, do jeito que ela veio ao mundo. Vamos tentar contar poucas histórias, para não falar muito, mas compositor gosta das histórias das canções.”

Luz analisa a importância do encontro:

“Quando a gente se dá conta, percebe a importância desse espetáculo na construção do repertório da música popular brasileira. Principalmente porque somos compositores com tendências diferentes, mas todos preocupados com a boa qualidade da música. Fico muito orgulhoso de participar deste grupo, e muito, também, de estar em outro país, num lugar tão emblemático como o Coliseu dos Recreios, nesta terra de mesmo idioma. Portugal, Lisboa. Lisboa, Brasil.”

E Gabriel Moura encerra reivindicando, mais uma vez, o necessário reconhecimento ao elemento inicial - e fundamental - da indústria musical:

“O compositor é um artista. É injusto separar artista de compositor. É uma arte escrever uma letra, criar uma melodia, conceber uma história musical que, depois, vai ser ‘vendida’ na voz de outra pessoa. A ideia, a criação, a concepção original é do compositor. Pensando nisso, quando reunimos vários outros compositores-artistas, conseguimos cantar nossas obras e levá-las conosco, fazendo o público entender que, por trás dos artistas que defendem uma obra, está um artista que as cria. Importante essa visibilidade. Se não tiver o compositor que crie, não tem música. Se o mercado e o público entenderem a importância do compositor enquanto artista, acho que teremos imprimido o que queremos fazer em Portugal.”

Ainda há ingressos disponíveis para o espetáculo, que começa às 21h30 (hora de Lisboa). Mais informações no site oficial do Coliseu.

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